segunda-feira, 16 de março de 2009

Parabéns São José do Rio Preto


BREVE HISTÓRIA DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO


Fundada em 19 de Março de 1852, sua história inicia-se com o desbravamento e a ocupação do solo do sertão paulista em meados do século 19. A partir de 1840, mineiros fixaram-se e deram início à exploração agrícola e a criação de animais domésticos.

Em 1852, Luiz Antônio da Silveira doou parte de suas terras ao seu santo protetor, São José, para que o patrimônio desse origem a uma cidade. A 19 de março de 1852, João Bernardino de Seixas Ribeiro (é o fundador de São José do Rio Preto), que já tinha construído uma casa de sapé nas terras do patrimônio, liderou os moradores das vizinhanças que ergueram um cruzeiro de madeira e edificaram uma pequena capela para as funções religiosas. Em 20 de março de 1855, o então Bairro de Araraquara foi elevado à categoria de Distrito de Paz e de Polícia.

Em 1867, o Visconde de Taunay, ao retornar da Guerra do Paraguai, pernoita no vilarejo e registra em seu diário o estado precário em que o mesmo se encontra. No dia 21 de março de 1879, quando fazia parte do município de Jaboticabal, a capela de São José é elevada à Freguesia.Em 19 de julho de 1894, São José do Rio Preto é desmembrada de Jaboticabal, transformando-se em Município, pela Lei n° 294. Era um imenso território, limitando-se nos rios Paraná, Grande, Tietê e Turvo, com mais de 26 mil km² de superfície.

Em 1904 (lei n° 903) é criada a comarca de Rio Preto. A partir de 1906 a cidade tem seu nome reduzido para Rio Preto. Somente em 1945 retoma o nome original de São José do Rio Preto. Com a chegada da Estrada de Ferro Araraquarense (EFA), em 1912, a cidade assume o seu destino de pólo comercial de concentração de mercadorias produzidas no então conhecido "Sertão de Avanhandava" e de irradiação de materiais vindos da capital.Foram três os líderes que se destacaram na criação do município: Pedro do Amaral Campos, João Bernardino de Seixas Ribeiro e Adolfo Guimarães Correia.

A origem do nome do município vem da junção do padroeiro da cidade, São José e do rio que corta o município, o Rio Preto. O primeiro prefeito, Luiz Francisco da Silva ( 27/11/1894 a 15/07/1895), à época Intendente, foi nomeado em 1894.


O Aniversário de São José do Rio Preto é comemorado em 19 de Março.

Fonte: PM SÃO JOSÉ DO RIO PRETO

terça-feira, 3 de março de 2009

Sobre o político cristão


Há homens que lutam um dia. E são bons.

Há homens que lutam muitos dias. E são melhores.

Há os que lutam anos. E são excelentes.

Mas há os que lutam toda a vida. E estes são os imprescindíveis.”

Bertold Brecht

Para você que não me conhece, caro leitor, eu carrego algumas inquietações referentes a fé cristã e a política. Devido ao alto conteúdo ético da mensagem do Reino de Deus, exposto nas páginas da Bíblia e por todos os contornos que a história do cristianismo nos ensina, continuamente me deparo a questionar a respeito do político cristão, ou melhor, do cristão que heroicamente se aventura na política. E quando falo política quero dizer aquela partidária, republicana, aquela que enche de melindres a qualquer um, especialmente ao público evangélico brasileiro.

Desgraçadamente, este público evangélico assimilou em suas origens a concepção de que cristianismo e politica não se encontram. A idéia principal é uma estranha dicotomia, duvidosa sobre todos os aspectos, do secular e do sagrado, um maniqueísmo místico do “nós cuidamos de nossa eternidade e não das coisas deste mundo”. Existem estudos teológicos e sociológicos contemporâneos que versam sobre esta questão, mas deixo para outra ocasião uma explanação mais ampla.

Ocorre que durante a história do cristianismo e especialmente do protestantismo, existiram figuras distintas que, ao invés de seguirem a maré vigente, de se tornarem clérigos ou ministros de igreja, ousaram oferecer suas vidas à causa do Reino de Deus, servindo-O enquanto serviam a todos por meio do cuidado dos assuntos da polis. Bravos homens como Johannes Althusius, William Wilberforce, Abraham Kuyper, Guilhaume Von Pristerer, John Adams, John Witterspoon, entre outros, que se dedicaram ao ofício político, sejam como teóricos ou pragmatas, entendendo que sua vocação era tão sagrada quanto a do ministro que se ergue dominicalmente no púlpito eclesiástico.

Olhando para o quadro brasileiro, não encontro nem um rastro de homens cristãos, evangélicos e protestantes, que se identifiquem como tais e se aventurem corajosamente na empreitada da política. Pessoas que se preparem para gerir aquilo que é público, que faz parte do mandato cultural para a humanidade, dos recursos da natureza, da consolidação de uma sociedade harmoniosa e justa. Conheço muita gente que sonha em ser advogado, médico ou empresário, mas jamais ouvi de alguém, “me preparo para servir ao povo do meu país como parlamentar ou como governador do meu estado”.

Ora, a que se deve este comportamento omisso? A que ponto chegamos - e falo como membro do grupo já citado - em que nos permitimos imiscuir-nos dos negócios públicos, deixando de ser a luz que brilha para iluminar as trevas de um mundo onde campeia a maldade, deixando de ser o sal que transforma não só o mais íntimo da alma, mas também a estrutura injusta e desarmoniosa da sociedade. Não. Não é da nossa pecha e do nosso mandato como cristãos deixarmos a vida comum, especialmente no contexto brasileiro, onde temos uma democracia deficiente e uma república federativa mal-elaborada.

Lembremos, como o semeador que um dia saiu a semear: o cristão deve encorajar-se a fazer uma nova política, seja utilizando as ferramentas da direita ou da esquerda, mas sempre com princípios do Reino de Deus, expressos claramente na Bíblia, na tradição e em uma mente sadia. Sim, o cristão deve sair para politizar!

Para a Glória de Deus.

+Gustavo Abadie

segunda-feira, 2 de março de 2009

PSIU!?! S I L Ê N C I O !!!

Para S. Beckett estamos condenados a falar ininterruptamente um discurso sem sentido, para fugir da inutilidade e da angústia, preenchendo o vazio da vida com ruídos. Como a mulher que tem muitos pássaros engaiolados em casa, a cantar ao mesmo tempo, não lhe permitindo nada ouvir em “Cem Anos de Solidão” de G. G. Marques. Por isso, os três desafortunados personagens de “Entre Quatro Paredes”, de J. P. Sartre, falam o tempo todo e não se entendem: estão destinados a falar e o destino deles é o inferno. O inferno é um indiscriminado e ruidoso encontro de sons sem sentido.

O que existe entre o som e o ouvir? O pensamento e a fala?... O silêncio! Mas a ele reservamos um curto momento que não nos permite ouvi-lo. Se o ouvíssemos e lhe déssemos tempo? O que ouviríamos? Não se está falando aqui da palavra caçada, da mordaça, do silêncio imposto. Isso seria a mutilação da palavra. Cortar a língua. Mudez. Censura. Violência conta a palavra. Fazer silêncio é diferente de ser silenciado.

O silêncio fala. É altissonante: Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das Suas mãos. Não há palavra, nem som algum, entretanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz (Sl. 19). Não foi isso que fizeram os amigos de Jó, ao verem a sua dor? Não é desta forma começa a liturgia celeste: houve silêncio no céu (Ap. 8).

Chegamos ao santuário e desejamos falar das dores, aflições, necessidades. Mas: O Senhor está no Seu santo templo: cale-se diante d’Ele toda a terra (Hc. 2.20). Fazer silêncio é oportunidade de sermos nós mesmos, reunindo os fragmentos do nosso ser diante do Altíssimo. Neste caso falar é calar e, de modo igual, calar é falar. Como o caipira de Pirapora no santuário: Como não sei rezar, só queria mostrar o meu olhar.

Calamos diante do Inefável, do Inaudito, do Impronunciável. Não no silêncio vazio, mas no esvaziar-se silenciosamente, pois Aquele que nem sequer podemos pronunciar o Nome assume a palavra. Este respeitoso silêncio remete-nos à paz, como diz Stº. Agostinho: Tu nos criaste para Ti e o nosso coração não descansa em paz senão silencia em Ti.

A Quaresma é um convite a fazer silêncio, a calar-se. É a busca de fazer como a Virgem Maria que guardava no silêncio do coração todas aquelas palavras (Lc 2.19). Como o carpinteiro José, marido de Maria, de quem não se tem uma só palavra dita nos Santos Evangelhos, mas de quem se tem o exemplo de firmeza, respeito e de quem aceita a Palavra Divina, mesmo que a mesma pareça absurda (Mt 1.19s).

A Quaresma é um convite a guardar silêncio, a calar-se. Não como Zacarias que, por descrer, saiu mudo do Templo (Lc 2.20). Pois a mudez é a palavra mutilada, caçada, que a incredulidade cortou. O silêncio que a Quaresma convida é o silêncio que faz a criança desmamada nos braçaos de sua mães (Sl 131.2). O silêncio de quem, satisfeito em sua necessidade, nada mais quer, por nada mais se agita, por nada mais se toma.

A Quaresma é um convite a guardar silêncio, a calar-se. Pois Aquele que assume a Palavra, quer nos falar: do caminho da cruz que assumiu por nós, da tentação que venceu por nós, da Sua vida que será dada para alimentar a nossa, da Sua morte que nos trás vida, da Sua fidelidade que vence a nossa infidelidade. Ele que nos falar que sabendo ser chegada a Sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os Seus que estavam no mundo, amou-os até o fim (Jo 13.1).

A Quaresma é um convite a gaurdar silêncio, a calar-se, mas como não é mudez, é espaço de ser ouvido e acolhido, mesmo sendo pecadores, pela Graça e o Amor que estão em Deus, no rosto humano e bendito do Seu Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor.

Roguemos a graça de guardar fielmente a Quaresma: Deus Todo-poderoso e Eterno, que nada odeias do que criaste, e perdoas os pecados dos arrependidos; cria em nós corações novos e contritos, para que, lamentando os nossos pecados e reconhecendo a nossa corrupção, obtenhamos de Ti, Deus misericordioso, perdão e perfeita remissão. Por Jesus Cristo nosso Senhor. Amém! (LOC-b).

Ven.Arc.Rev. Carlos Alberto Chaves Fernandes +