quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

O CORAÇÃO E O TESOURO

Tesouro, em qualquer língua, designa tanto as preciosidades quanto o local onde são as mesmas guardadas. Por isso fala-se do Tesouro do Templo (I Rs. 7.51), ou seja, o erário onde se guarda os valores arrecadados no mesmo. Os tesouros em prata e ouro, conquistados de outros povos em guerras, deveriam ser consagrados a Deus e guardados na sala do Tesouro. Por isso, os invasores, sempre saqueavam o Templo e, por várias vezes, roubaram os tesouros (Sisaque, rei do Egito, Rs.14.25-26).

Tesouros não valem mais do que uma boa consciência. Por isso, melhor a vida modesta, do que tesouros e uma mente perturbada (Pr. 15.16). Razão porque na casa do justo existe um tesouro impagável, mas na do perverso uma perturbação que não cessa (Pv.15.6). O melhor tesouro é o temor do Senhor (Is.33.6). Melhor, assim, ajuntar tesouros, não onde o ladrão escava e rouba, ou a traça rói ou corrói (Mt.6.19-20). Melhor do que ajuntar tesouros é ser rico para com Deus (Lc.12.21).

Este foi o motivo porque Lutero, em seu documento inicial e fundador da Reforma Protestante, a famosas “95 Teses”, perpetrou:
62: O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus;
63: Este tesouro, entretanto, é muito odiado, e com razão, porque faz com que os primeiros sejam últimos;
64: Em contrapartida, o tesouro das indulgências é com razão o mais benquisto, pois faz dos últimos os primeiros;
65: Por esta razão os tesouros do Evangelho foram as redes com que outrora se pescavam os homens das riquezas;
66: Os tesouros das indulgências, por sua vez, são as redes com que se pesca a riqueza dos homens.Destarte, não devemos nos descuidar com o coração. Ele é preciosa, mas, também, profundamente enganoso (Jr.17.9).

O que pode colocar este precioso bem em segurança é o tesouro do Evangelho da glória e da graça de Deus em Cristo Jesus nosso Senhor. Por isso, colocar o coração naquilo que não corrói, que não pode ser roubado, que não se corrompe e nunca muda: a Palavra do nosso Deus e bendito Pai.




Ven. Arc. Rev. Carlos Alberto Chaves Fernandes†

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